Em clima de muita emoção e com a presença marcante de familiares e personalidades do mundo do samba, foi sepultado no Cemitério do Maruí, no Barreto, em Niterói, na tarde de terça-feira (20), o cantor e compositor Edu Cigano, um dos mais tradicionais e antigos artistas do Carnaval da região. Cigano morreu de falência múltipla dos órgãos, na última terça-feira, no Centro Previdenciário de Niterói (CPN), no Bairro de Fátima, na antiga capital, em decorrência de complicações respiratórias provocadas pela tuberculose. Diabético, ele estava bastante debilitado quando foi internado, há duas semanas, e não resistiu.
Duas camisas oficiais do Bloco Filhos da Pauta, dos Carnavais de 2025 e 2026, foram usadas para cobrir o caixão onde Edu foi velado, na Capela D do Maruí. Nesses anos, o artista marcou suas duas últimas passagens por uma agremiação oficial da folia em Niterói. Cerca de 100 pessoas, a maioria sambistas que participaram da trajetória de “Eduzinho”, como era conhecido, estiveram presentes no sepultamento. Entre elas, estavam o ex-presidente da Acadêmicos do Cubango, Olivier Luciano Vieira, o Pelé, além de diretores dos blocos carnavalescos Filhos da Pauta e Xurupita, todos de Niterói (RJ). Os compositores Celso Tropical, Rogerão, Soares do Cavaco, Chiquinho Inspiração e Mário Di Minas, além do intérprete Marcelinho, da escola de samba niteroiense Magnólia Brasil, também compareceram ao Maruí.
Emocionado, Johny Amorim, um dos filhos de ‘Eduzinho’agradeceu a todos e fez questão de enaltecer a memória de Edu Cigano, com quem, segundo ele, aprendeu a compor e a cantar sambas-enredo, uma das grandes paixões de Cigano, um niteroiense que descobriu no mundo das batucadas uma forma de viver.

Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Bloco Filhos da Pauta lamentou a morte de seu intérprete, destacou a importância de Edu Cigano para o Carnaval de Niterói e também agradeceu o apoio recebido de entidades e representantes do mundo do samba, entre eles a União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (Uesbcn), da qual é filiada.
“Tudo o que conquistei no mundo do samba e do Carnaval, devo a ele, que me educou, me preparou para a vida e de quem também herdei o talento para o canto”, afirmou, emocionado.
O presidente do Filhos da Pauta, o jornalista e músico Sérgio Soares, afirmou que haverá, junto aos segmentos da agremiação, avaliações para definir quem substituirá Cigano no microfone principal do bloco.
No último Carnaval em Niterói, Eduzinho recebeu, como convidado, o intérprete Nego, um dos mais laureados do Carnaval brasileiro, para dividir a produção do clipe oficial lançado pelo Filhos da Pauta, que homenageou onze jornalistas em 2026 e que agora desenvolve o plano de trabalho para 2027.
No próximo ano, a agremiação vai homenagear os 80 anos da Livraria Ideal, histórica referência da cultura da antiga capital, e também Carlos Mônaco, que, aos 84 anos, ainda trabalha no local, na Rua Visconde de Itaboraí, no Centro de Niterói.
QUEM ERA
Intérprete da linha tradicional, com o famoso “vozeirão”, Cigano começou a se destacar no Carnaval no fim dos anos 1980. Eclético, fazia de tudo um pouco: tocava diferentes instrumentos de percussão e também era habilidoso passista. Com o passar dos anos, aquele rapaz “magrinho” passou a ganhar peso na meia-idade e, por isso, também costumava participar de concursos para a escolha de Reis Momos do Carnaval.
Entre as agremiações pelas quais passou estão Acadêmicos do Cubango, Souza Soares e Em Cima da Hora. Na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, integrou por dois anos o carro de som da Acadêmicos de Niterói, antiga Sossego.
