A Associação Pestalozzi de Niterói inicia uma nova etapa em sua trajetória de atuação, com a implantação das Oficinas Integrativas, modelo inovador de acompanhamento na área da Reabilitação Intelectual. A proposta teve início no mês de junho e já foi apresentada em reunião geral com responsáveis, reunindo familiares, profissionais e a equipe técnica da instituição.

Alinhadas aos princípios pedagógicos de Helena Antipoff, referência histórica da instituição, as Oficinas Integrativas atualizam e dão continuidade a práticas educacionais construídas ao longo das últimas décadas. O novo formato sucede o trabalho desenvolvido pela escola especializada da Pestalozzi, que encerrou seu ciclo de atividades em 2026, preservando, contudo, o vínculo dos usuários com a instituição e suas equipes.

Coordenadas pela psicopedagoga Lillian Cardozo do Nascimento, responsável pelo Programa de Reabilitação TEA e pelo Programa de Reabilitação Infantojuvenil, as oficinas são estruturadas em uma abordagem coletiva e multidisciplinar, voltada ao desenvolvimento integral dos usuários.

As atividades acontecem em espaços temáticos como Ateliê Criativo, Conectamente (informática), Fábrica de Ideias, Leitura Viva, Letramento e Movimente-se. Cada ambiente, usado anteriormente como sala de aula, foi planejado para estimular habilidades cognitivas, emocionais, sociais e motoras, respeitando as individualidades e o ritmo de desenvolvimento de cada participante.

Com a atuação de uma equipe multidisciplinar e de facilitadores da área da educação e da psicologia, o programa envolve planejamento, execução e avaliação contínua dos processos terapêuticos e educativos. Entre os objetivos estão o fortalecimento da comunicação, do raciocínio lógico, da convivência social, da consciência corporal, da autoestima, da atenção, da memória e da capacidade de resolução de problemas.

Um dos principais diferenciais das Oficinas Integrativas é a manutenção do vínculo afetivo e terapêutico entre profissionais, usuários e familiares, elemento considerado essencial para garantir acolhimento e continuidade no processo de desenvolvimento. As oficinas desempenham função semelhante à da escola especializada, encaminhando também para a rede pública os alunos cujos responsáveis assim desejarem.

A nova proposta dialoga ainda com a tradição pedagógica da instituição, inspirada nos ensinamentos de Helena Antipoff, que defendia uma educação ativa, sensível e conectada às necessidades reais dos educandos. Para a educadora, o processo de ensino deveria ultrapassar os limites da sala de aula formal, valorizando a experiência, o fazer e a vivência.

Historicamente, essa concepção orientou experiências como a Escola-Granja (aberta em 1951) e o Centro Experimental Helena Antipoff (CEHA), criado em 1973, que integravam atividades pedagógicas, terapêuticas e práticas, como oficinas e terapia agrícola, promovendo o desenvolvimento integral dos alunos.

Ao implantar as Oficinas Integrativas, a Pestalozzi de Niterói reafirma seu compromisso com a inovação, a inclusão e a promoção da autonomia, da dignidade e da qualidade de vida das pessoas com deficiência intelectual e múltipla, consolidando-se como referência na área há mais de sete décadas.