A professora aposentada Janina de Azevedo Brandão Gomes comemorou seus 100 anos de vida no último dia 6 de junho, em uma celebração realizada no restaurante Ratskeller, em Porto Alegre.
O encontro reuniu familiares e amigos para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à educação, pelo amor à família, pela busca permanente do conhecimento e pela construção de sólidas relações de amizade.
Filha de Amaury Azevedo e Alayde Armando de Azevedo, Janina nasceu em 7 de junho de 1926, na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde passou a infância e desenvolveu hábitos que mantém até os dias atuais, dentre eles, o gosto pelas caminhadas próximo à natureza. Costuma dizer que é durante as caminhadas que consegue colocar as ideias em ordem.

Na sua trajetória, Janina construiu uma história marcada pela curiosidade intelectual, pela valorização da cultura e pelo interesse constante em compreender as transformações do mundo.
Na década de 1940, mudou-se para Porto Alegre para cursar o ensino superior. Formou-se em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e dedicou sua carreira ao magistério. Lecionou durante muitos anos em escolas da rede estadual e em instituições particulares, contribuindo para a formação de diversas gerações de estudantes.
Em 1955, casou-se com Walter Brandão Gomes, português criado no Rio de Janeiro. O casal teve dois filhos, Paulo e Patrícia, e formou uma família que atualmente reúne cinco netos — Francisco, Gustavo, Paula, Raffaella e Sofia — e cinco bisnetos — Maria Augusta, Frederico, Teodora, Joaquim e Flora.

O espírito aventureiro e o interesse por diferentes culturas também marcaram a vida do casal. Juntos, Walter e Janina realizaram inúmeras viagens pelo Brasil e pelo exterior. Mais do que visitar destinos turísticos, ela sempre procurou conhecer os costumes, as tradições e as características dos povos e regiões que visitava.
Professora por vocação e estudiosa por natureza, Janina é reconhecida pela ampla cultura e pelo interesse permanente pela leitura. Leitora assídua, dedica especial atenção à literatura africana e árabe. Após a aposentadoria, iniciou os estudos da língua francesa e manteve as aulas até o ano passado, aos 99 anos.

Entre familiares e amigos, é lembrada pela personalidade marcante, pelo carisma e pela disposição para o convívio social.
Ao longo da vida, construiu uma extensa rede de amizades, cultivada através de sua generosidade, inteligência e do interesse genuíno pelas pessoas. “Nunca recuso um convite. As pessoas acabam nos esquecendo se não participamos dos encontros para os quais somos convidados”, costuma dizer, resumindo uma filosofia de vida baseada na convivência, na valorização dos relacionamentos e na construção de vínculos duradouros.
Atualmente, a maior alegria de Janina está na convivência com os bisnetos, que representam a continuidade de uma história familiar construída ao longo de várias gerações.

Para sua filha Patrícia, o centenário da mãe simboliza muito mais do que a passagem do tempo. Representa uma vida plena, marcada pela dedicação à educação, pela valorização das relações humanas e pela permanente disposição para aprender.
A comemoração dos 100 anos de Janina celebrou não apenas sua longevidade, mas também uma trajetória inspiradora de afeto, conhecimento, cultura e participação ativa na vida familiar e social, qualidades que continuam sendo sua principal marca ao completar um século de existência.
