Entre política e memória, o deputado e escritor Marcelo Freixo lançou o livro: “Viver é Perigoso: Minha Travessia no Rio”, escrito em parceria com Bruno Paes Manso, na noite da última quinta-feira, dia 7/5, na Universidade Federal Fluminense (UFF), no campus do Gragoatá.

Na ocasião, Marcelo Freixo participou de uma mesa de debates ao lado do Reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega e a Deputada estadual Verônica Lima, sobre segurança pública e os “atravessamentos” disso na sua vida pessoal e parlamentar.

Freixo falou também sobre sua trajetória, os diferentes sentidos do “perigo” e os desafios de viver e atuar politicamente no Rio de Janeiro. Em entrevista antes da palestra, o autor destacou que o conceito de perigo vai além da violência física e envolve também dimensões emocionais, psicológicas e escolhas pessoais ao longo da vida.

Criado no bairro do Fonseca, em Niterói, Freixo relembrou que a violência sempre esteve presente em sua trajetória desde a infância. “A gente foi criado num território onde a violência fazia parte do dia a dia”, afirmou. Essa vivência, segundo ele, influenciou diretamente a construção do livro e a escolha do título.

No entanto, o autor amplia o sentido da palavra “perigo” ao longo da obra. Para além da violência urbana, ele propõe uma reflexão sobre as decisões individuais e os riscos necessários para transformar a própria vida. “Ou a gente faz alguma coisa para ela mudar, ou ela pode não mudar”, disse, ao comentar a importância de assumir riscos conscientes.

“Viver é perigoso: Minha Travessia no Rio”

O livro, que levou cerca de quatro anos para ser concluído, mistura memórias pessoais e experiências políticas. A obra revisita momentos marcantes da trajetória de Freixo, como sua atuação em comissões parlamentares e investigações sobre milícias no Rio de Janeiro.

Para ele, o processo de escrita foi tanto político quanto pessoal, resultado de uma construção conjunta com Bruno Paes Manso – autor do consagrado livro: “A República das Milícias”.

Momento em que o Freixo compõe a mesa com a Deputada Estadual e o Reitor, havendo diálogo e interação com o público – Thaís Americano

Freixo também refletiu sobre o papel da coragem e do medo. “O medo não deve ser visto apenas como algo negativo. O medo nos humaniza, o medo não pode nos paralisar”, afirmou, ao defender que a coragem deve ser usada com equilíbrio e no momento certo.

Ao falar sobre o impacto que espera causar nos leitores, o autor destacou que o livro não busca conforto, mas reflexão. A obra apresenta um Rio de Janeiro distante dos cartões-postais, marcado por conflitos, mas também por possibilidades de transformação. “É um livro que acredita no Rio de Janeiro e chama o leitor a entender melhor essa realidade”, explicou.

O lançamento de “Viver é Perigoso” na UFF não apenas apresentou uma obra, mas abriu espaço para discutir trajetórias, desafios e o próprio sentido de viver em um contexto marcado por tensões. A passagem de Freixo pela universidade reforça o papel do debate público dentro do ambiente acadêmico.

 

Autora: Thais Americano