A artista Elza Suzuki faz abertura de sua exposição no dia 6 de outubro, às 18h, com curadoria de Desirée Monjardim, na Sala José Cândido de Carvalho, na Rua Presidente Pedreira, 98 – Ingá, Niterói, Ingá, e poderá ser visitada até 4 de dezembro.
A exposição reúne trabalhos em que o gelo, a água e elementos da paisagem são transformados em matéria poética e visual, criando imagens que transitam entre o figurativo e o abstrato. A pesquisa da artista parte da observação direta da natureza e de experiências com diferentes materiais e técnicas, construindo uma reflexão delicada sobre as mudanças ambientais contemporâneas.

As transformações provocadas pelo clima e os impactos da ação humana sobre o meio ambiente aparecem como uma espécie de fio condutor da exposição. O derretimento das geleiras, o movimento das águas e a relação entre floresta e rios são referências para uma produção que não recorre à representação explícita ou agressiva dos conflitos ambientais. Em seu lugar, Elza Suzuki constrói um discurso silencioso, utilizando a beleza e a sutileza das imagens como forma de provocar reflexão.
“Seu protesto é silencioso, puro, através de imagens belas que falam por si”, observa Isis Braga, doutora em Artes Visuais e em Ciências e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), em texto sobre a produção da artista.
Segundo Isis, Elza se apropria do gelo e descobre nele uma outra dimensão, criando imagens monocromáticas que revelam diferentes possibilidades da matéria. A artista parte, em alguns trabalhos, do universo figurativo, como nas imagens relacionadas às viagens e experiências na Amazônia, e também desenvolve processos nos quais o gelo é desfeito e transformado até alcançar resultados abstratos.
“Meu processo parte muitas vezes da experiência direta com a paisagem, de registros, desenhos, fotografias e observações de campo”, explica Elza Suzuki.
A arte botânica também ocupa um lugar importante na pesquisa da artista, aproximando o olhar das formas, estruturas e detalhes do mundo vegetal. A experiência recente na Amazônia ampliou esse repertório e trouxe novas referências para pensar a relação entre água e floresta.
Em algumas obras, a artista utiliza gelo pigmentado, deixando que o derretimento crie caminhos, manchas e marcas imprevisíveis sobre a superfície. A fotografia e a manipulação digital também são incorporadas ao processo de criação de algumas obras e reproduções.

Da comunicação visual às artes visuais
Formada em Comunicação Visual pela PUC-Rio, Elza Suzuki atuou por mais de 30 anos nas áreas de design gráfico, editorial e comunicação, desenvolvendo projetos para diferentes instituições e empresas.
A partir de 2020, a pintura passou a ocupar um espaço cada vez mais central em sua prática. Desde então, a artista vem aprofundando sua pesquisa por meio da participação em exposições, residências e editais, construindo uma produção que reúne diferentes experiências e linguagens.
Sua trajetória profissional também contribui para a construção de um olhar atento à imagem, à composição e aos processos de comunicação. Na pintura, essa experiência encontra novas possibilidades de expressão, especialmente na relação entre matéria, paisagem e natureza.

Elza Suzuki, uma artista de alma com a natureza
Elza Suzuki sempre foi conhecida e reconhecida como uma das mais destacadas profissionais como designer gráfica. Neste exercício diário de trabalho, ela já se superava como uma exímia técnica nos pequenos detalhes e na versatilidade criativa. E assim sua precisa técnica foi se direcionando para a arte de pintar e se revelando uma artista num encontro de alma com a natureza.
Elza Suzuki não é apenas uma artista, é uma pesquisadora, uma ativista ambiental (no melhor sentido desta expressão), com seu olhar de encantamento e registro de cada detalhe da natureza, que passa por uma folha, uma flor, um galho, um rio, um pássaro, uma paisagem.
Ela parece querer nos levar a uma reflexão sobre este mundo, este ambiente, tão presente e ao mesmo tempo tão distante nas suas transformações, na sua importância, na sua beleza, com seus desenhos, seus rabiscos, sua técnica e pesquisa. E, sem dúvida, nos leva a uma reflexão!
É admirável encontro de Elza Suzuki com a natureza, a mulher e a pessoa humana com seus conflitos, como foram nas paisagens das lagoas de Piratininga, Itaipu e este universo maravilhoso de tantas riquezas e incertezas, que é a Amazônia, que tanto e cada vez mais revela o seu talento e uma artista comprometida com o meio ambiente.
