Niterói sempre foi um celeiro de artistas de teatro, que marcaram e marcam a história da cidade, Guga Gallo é um deles, que chega a 50 anos de atividade como ator, diretor, produtor, com sua companhia, em outras companhias, nos palcos, nas campanhas de publicidade e nas TVs. Uma trajetória de muita luta, sucesso, reconhecimento e vários prêmios pela diversidade do seu talento, criatividade, suas interpretações, direções e produções.

Sua história começa no Colégio Plinio Leite, aos 10 anos de idade, com o espetáculo, um clássico de Maria Clara Machado, “Pluft, o Fantasminha”, exatamente no dia 14 de maio de 1976. E, não parou mais! Sua carreira foi se consolidando com cursos, nos palcos, as coxias e os bastidores. E já se foram mis de 50 espetáculos produzidos na sua carreira com peças infantis, adultas, dramas e comédias, onde ele se completa. E, também, como professor de Teatro em vários cursos.

Na sua biografia, conta que abriu mão de tentar a carreira de jogador de futebol para se dedicar, exclusivamente, ao teatro. Pelo menos, o “perna de pau” ficou para trás e assumiu, realmente, o que sabe fazer: interpretar e bem!

Guga teve boas companhias de aprendizado com mestres da arte de interpretar: Isack Bardavid, ator e dublador; Grande Otelo e Roberto Toney; dirigido por Ariano Suassuna no espetáculo “Auto da Compadecida; aluno de Maria Clara Machado; ator no espetáculo Orquestra das Senhoritas com direção do respeitado diretor Mauricio Sherman, com elenco de estrelas como Marcos Weinberg, Felipe Wagner, Milton Gonçalves, Gilberto Marmirochi. Ser dirigido por Mauricio Sherman com todo este elenco, Guga considera que foi sua maior experiência na carreira.

Para ele, no entanto, o maior desafio como Diretor, nesses 50 anos de carreira, foi com a peça “12 dias com Leviana”, do escritor, poeta e historiador Luiz Antonio Pimentel, que foi assistir o espetáculo no dia que completou 100 anos. “Foram duas horas de muita emoção com um elenco de profissionais fundamentais na encenação: Amanda Santos, Anderson Caldeiras. Uma peça que Pimentel, guardou por 70 anos, destaca Guga.

Relembrando cada passagem de sua história no Teatro, Guga Gallo afirma que como artista sua maior emoção foi trabalhar no Auto da Compadecida com Ariano Suasuna e seu maior desafio como ator foi no espetáculo Um “Estranho no Ninho com direção de Isack Bardavid , com tempo de três horas.

Guga, ao ir relembrando sua trajetória, fala de sua alegria de sempre está atuando, no palco, contracenando com seus amigos, com suas filhas e faz questão de enumerar nomes, amigos, como: Ankito, Sohail Saud, Elyzio Falcato, Mário Sousa, Cezar Cavalcanti, Dudu, Cristina Fracho, Maninha Cerron, Bianc Santos, Victor Vieira, Artur Marinho, Anderson Caldeiras, Anibal Erthal, Ricardo Silva, Kiko Latanze (in memorian), Miguel Nader, Pablo Rosken, Isack Bardavid, Diego Raihoffer, Willy Rossler, Eduardo Jadel (in memorian), Kleber Brandão, Sandra Nunes, Flávio Troller, Roberto Brenner ( in memorian), Simone Costa, Ana Elis Gouveia, Evê Sobral, Marco Antonio Rosas, Lucia Medeiros. E, tantos outros, mas destaca “o irmão e grande amigo Ricardo Brandão (in memorian). E completa: o maior presente que o teatro me deu foi conhecer Luciana Almeida, sua esposa.

Nas comemorações dos seus 50 anos no palco, Guga faz uma reflexão sobre o momento atual e vê um vazio , “o teatro raiz” ficando um pouco de lado por causa da Rede Social, a tendência parece ser o público voltado mais para a imagem estereotipada, sem dá valor ao artista no palco, a arte cênica”, destaca.

Relembrando suas montagens, Guga afirma que “PLuft, o Fantasminha”, na UFF, foi o espetáculo mais marcante em sua vida, entre outros como: Revolta dos Brinquedos, O Casamento de Dona Baratinha, O Boi e Burro a Caminho de Belém, a Cigarra e a Formiga, Pinóquio, a Bruxinha que era Boa, Brincando de Brincar, Judas em Sábado de Aleluia, Drogas no Inicio do Fim, Gaiola das Loucas, Rio de Cabo a Rabo, Quem … Ó minha Mulher, Estranho no Nino. Paixão Vida de Cristo.

Casado com 4 filhos, dois netos, Guga, além do palco, virou o “Papai Noel “oficial” da cidade e faz um extraordinário trabalho social, através da Casa do Amor, com ajuda de alguns colaboradores, para moradores de ruas, crianças e tantos em situação de vulnerabilidade.

Para Guga Gallo, é sempre tempo de agradecer. “ Não vou esquecer nunca de Mauricio Menezes que me deu a oportunidade de trabalhar no Plantão de Notícias; a família Plinio Leite; a família Salgado de Oliveira; minha família; meu mano Luis Carlos Gallo; a família de Jourdan Amora, com Dandan e Gustavo; a família Bruno do Pão ETC; Marcelo Viana, grande amigo e sempre me ajudando dando apoio; empresário Rodrigo Gordão, Renatinho Teles; as duas cidades Niterói e São Gonçalo, que sempre me acolheram. Esta história de vida ao teatro devo e devo muito a minha esposa, filhas, netos, irmãos, sobrinhos e sobrinhas e os amigos sempre, conclui Guga.



Mário Sousa, jornalista, Analista Político e Diretor de Teatro