As primeiras-damas sempre foram estigmatizadas como “madames”, com posições discretas ao lado dos “maridos gestores”. Sem qualquer crítica — e com todo respeito às primeiras-damas em todas as instâncias municipais, estaduais e federais — esse papel tradicional as colocou, historicamente, à sombra do poder.
Felizmente, com o passar do tempo, as mulheres foram conquistando seu espaço e romperam amarras, enfrentaram preconceitos e chegaram ao protagonismo social e político. Ainda assim, o selo social de “primeira-dama” permanece como uma marca simbólica que atravessa gerações.
Na história do país, uma das figuras mais emblemáticas foi Nair de Teffé, esposa do presidente Hermes da Fonseca, durante a Primeira República. Nascida em Petrópolis e educada na França, Nair foi uma revolucionária para os padrões da época. Notável caricaturista, assinava suas obras com o pseudônimo Rian e não hesitava em quebrar tabus, escandalizar a elite e a classe política com sua arte, além de levar para dentro do Palácio do Catete a música popular brasileira.
O Brasil também teve primeiras-damas com atuação mais proativa na esfera social. Foi o caso de Darcy Vargas, esposa de Getúlio Vargas, que impulsionou a estrutura da assistência social no país, e de Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criadora do Programa Comunidade Solidária. Ambas estiveram à frente de políticas voltadas sobretudo para a assistência social.
A atual primeira-dama do país, esposa do presidente Lula, diferencia-se das anteriores ao assumir publicamente um protagonismo político e feminino, defendendo sua autonomia e participação ativa no debate público. É uma mulher que se impõe por sua inteligência e personalidade.
Do plano nacional ao municipal, em Niterói, a “primeira-dama” é Fernanda Neves. Militante histórica da democracia e dos direitos humanos, com forte atuação em defesa das mulheres, ela sempre manteve uma trajetória própria, marcada pelo empreendedorismo e pelo engajamento social.
Ainda jovem, participou de diversas mobilizações estudantis. Foi em uma dessas passeatas – pelo Passe Livre – que conheceu Rodrigo Neves. A relação iniciada nas ruas da militância já dura mais de duas décadas e resultou em uma família com três filhos e dois netinhos.
Mesmo casada com o prefeito, Fernanda nunca se acomodou no papel tradicional de primeira-dama. Sempre se manteve ativa nas lutas sociais, especialmente na defesa e ampliação dos direitos das mulheres. Foi dela, inclusive, a iniciativa da criação da Secretaria Municipal da Mulher em Niterói e de tantas políticas públicas voltadas ao tema.
Um dos momentos mais difíceis de sua trajetória foi o episódio em que Rodrigo Neves enfrentou perseguições que, posteriormente, foram consideradas abusivas, mentirosas e injustas. Diante da adversidade, Fernanda demonstrou firmeza e liderança. Mesmo vivendo um drama pessoal, reuniu forças, mobilizou lideranças e contou com o apoio de esmagadora parte da população para denunciar uma injustiça histórica contra o prefeito.
Mais do que esposa, Fernanda mostrou-se uma companheira de luta. Mesmo sob forte pressão, conseguiu articular apoios e sustentar publicamente a defesa da honra e da gestão democrática de Rodrigo Neves.
Fernanda Neves foi gestora do Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados, onde trabalhou no fortalecimento de políticas públicas sociais, na promoção da equidade de gênero e na proteção das mulheres. Entre outras iniciativas destacam-se o “Auxilio Social para Mulheres em situação de violência”, que representa uma luta constante contra o feminicídio em Niterói, o Espaço Empreendedor da Mulher, o Programa Primeira Infância e promoção da equidade de gênero, o Treinamento Lilás, o Ação Mulher e o projeto itinerante nos bairros.
Fernanda, primeira-dama , como tantas outras mulheres, é esposa, filha, mãe, avó, professora e uma mulher mas presente e ativa no poder da participação, da educação e do cuidado social
Fernanda Neves tem marcado sua trajetória com políticas públicas para mulheres, no combate à violência de gênero, promoção da autonomia econômica e fortalecimento da primeira infância e ações de inclusão social.
Legenda imagem de capa: Nair de Teffé, Darcy Vargas, Ruth Cardoso e Fernanda Neves
Autor: Mario Sousa, jornalista e Analista Político
