Afinal o que quer o governador Claudio Castro ao anunciar um possível leilão para vender o Complexo Esportivo Caio Martins? Foi ele mesmo que no seu Governo criou uma Coordenação para recuperar e vitalizar o parque esportivo.
E, agora, o governador que não ouviu a população, as entidades esportivas e os atletas da cidade. Na realidade não ouviu a Prefeitura, a classe política, não ouviu ninguém e quer vender o Caio Martins.
Claudio Castro quer jogar no lixo a história e o patrimônio da cidade ou entregar este equipamento histórico ao mercado imobiliário?
Nas duas situações, fica caracterizado o seu descaso com Niterói, sua história e seus patrimônios. E, não é de hoje.
O Caio Martins é um patrimônio histórico onde ali se realizaram grandes competições esportivas nacionais e internacionais, além de grandes shows, feiras e eventos comunitários e sociais. Como o Mundial de Basquete, Mundial de Voleibol, Sul-Americano de Natação, entre outras competições. Shows de Roberto Carlos, Djavan, chegada de Papai Noel, a Feira de Integração Comunitária.
O Complexo também foi sede de todas entidades esportivas de Niterói na gestão do secretário Luis Carlos de Freitas Gallo mas as entidades perderam o espaço com o novo coordenador, o ex-jogador Gerson.
Não é a primeira vez que a venda do complexo é anunciada. Já houve uma proposta de construção de um shopping com uma arena esportiva e também sua municipalização. A Prefeitura de Niterói chegou a propor a transformação de parte do estádio em um grande piscinão (reservatório para drenagem de águas pluviais). Nada andou.
Em 1964, em plena ditadura militar, o Caio Martins virou presídio de mais de 300 presos políticos pelo DOPS, o primeiro estádio convertido em prisão política.
Sua história, além de deste momento abominável, começa com sua construção em 20 de julho de 1941 pelo então governador Amaral Peixoto, com objetivo de que os jogos do campeonato Carioca fossem ali realizados. A primeira partida foi entre Canto do Rio e Vasco com a vitória do Vasco por 3X1.
O nome Caio Martins foi dado a um jovem escoteiro o Caio Martins Viana, que após um acidente ferroviário recusou ajuda para que outros recebessem atendimento primeiro. Morreu logo depois.
Desde a fusão, quando quase todos os serviços de âmbito estadual foram para o Rio. Niterói perdeu sua identidade e parte de sua força administrativa e econômica e teve que se reiventar. O Centro de Niterói foi o que mais se desestruturou pois no bairro se concentrava todos os serviços judiciários e a classe política, como a Câmara de Deputados estaduais e a elite do Judiciário. A sede do Governo do Estado, na ocasião, era onde é hoje o Museu do Ingá. Ali passaram a funcionar dois museus: o Histórico e de Artes e Tradições Populares, este último acabou e o atual museu até hoje não criou uma identidade com a cidade. O outro Museu, Antonio Parreiras ficou 10 anos fechado. E só recentemente foi reinaugurado.
Há vários prédios históricos do Estado abandonados no Centro de Niterói. Um dos mais emblemáticos foi o prédio onde funcionava a Imprensa Oficial do Estado , que foi vendido e despejado sem nenhuma contrapartida e respeito histórico ao Museu da Imprensa.
Niterói merece respeito a sua história, aos seus patrimônios, a sua memória.
